quarta-feira, agosto 11, 2010

Casa


Olho pela janela. Ouço jazz. Jazz "Delcleniano". Vejo um Rio de céu. Um Rio de mangas. Um Rio de mar. Um Rio de verde. Um Rio de gente. Que saudade do Rio, quando aqui estou. Que saudade da minha casa, quando no Rio estou. Em breve matarei a saudade. De lá. E, depois, de cá.

quinta-feira, agosto 05, 2010

Rastro




Sinto o cheiro da novidade. Sinto o cheiro da leveza. Acredito que algo vem por aí. Coisa boa. Assim creio. Respiro. Mais uma vez a fé. Sempre ela, o alimento d'alma. Da vida. Do tesão. Da respiração. Do novo. De novo. Coisa boa vem por aí. Ainda bem. Mesmo tentando não esperar, espero. Sempre.

domingo, julho 18, 2010

Desejo De Um Ensolarado Domingo De Julho


Que me ame. Que goste de peixe. Que goste de farofa. Que goste de feijão preto. Que goste de música. Que goste da música que tocar. Que a música seja brega. Que o brega seja antigo. Que a música seja rock. Que a música seja roll. Que seja somente. Que me ame.




sábado, julho 03, 2010

Mordaça

Quando era criança tinha muita vergonha. Assim como qualquer menina (o). Mas o quê eu tinha vergonha mesmo era de dizer "Eu te amo" para minha mãe. O tempo passou. Continuo passando e o constragimento permanece. Em menor escala, mas permanece. Na verdade, atualmente, procuro fazer diferente. Isso porque, hoje em dia, tento logo falar quando amo alguém. Amor é para ser dito, gritado, esfregado na cara do mundo. Afinal, o único acordo que fiz com a vida foi ser feliz. Se não for assim, me mata logo.


Após o comentário do Marcus preciso do adendo: certo Dia das Mães, mil anos atrás, acordei com uma vontade louca de dizer para a minha mãe, ser mais importante do mundo para mim, que a amava mais que a mim mesma. E o simples fato de olhá-la me fazia chorar. E eu disse, com a voz embargada, que eu a amo mais que tudo na minha vida. E todas as vezes que penso que posso perdê-la, choro copiosamente. Amo com orgulho. Amo com vida. Amo com o Sagrado. Ainda que nem sempre demonstre.

segunda-feira, junho 21, 2010

Jeito Dunga De Ser


Aborrecimentos e incômodos sempre existem em nossas vidas. Situações que não conseguimos controlar. Mas percebo que ultimamente tenho tentado não render os sentimentos ruins que eles me causam. Antes eu ficava martelando o sofrimento, castigando minh'alma porque não conseguia deixar de me chatear com o quê me machucava. Notei que de um tempo para cá, após intensa luta comigo mesma, com minhas entranhas emocionais, o desgaste tem sido menor. Parei para pensar e conclui que faço escolhas. E que, quando alguém ou algo tá me magoando, dá para escolher ir embora. Ou esquecer. Ou ignorar. Se permaneço no que me faz sofrer, é porque assim escolhi. Então pelo menos que eu fique calada, pois ninguém é obrigado a ouvir minhas lamúrias. Aquelas que eu insisto em ter.

terça-feira, junho 01, 2010

Sorriso de Lado

Tantos clichês existem a respeito do tempo. Que o tempo é um santo remédio, que o tempo cura feridas, que o tempo...ah, adoro clichês, reconheço. Afinal, acredito que eles só são clichês exatamente porque tem um pouco de verdade. Confesso que com relação ao tempo, dias atrás, tive um novo olhar. Já existia antes, mas somente agora me dei conta do que ele fez: abriu meus olhos para o que tava ali na minha frente e eu, cega, não enxergava. Quer dizer, não enxergava como enxergo hoje. Percebo que agora enxergo melhor. O que mudou foi que vivi, senti, chorei, amei, sofri. Aprendi que quem merece meu valor é quem me faz feliz. Como é bom, depois de um longo tempo, redescobrir uma pessoa. Principalmente quando você sabe que ela gosta de ti. Com licença, preciso fechar os olhos, tomar um gole e dar uma boa tragada. Vou curtir a minha pequena felicidade.

terça-feira, maio 25, 2010

Natimortos

Todo mundo prega, mas raros os que conseguem. Ficar em silêncio não é para qualquer um. Por isso, a melhor situação que percebo é saber calar o bico para ouvir, escutar o próprio coração. Às vezes ele tá ali angustiado, martelando. Quer te dizer algo que finges que não ouves porque desagrada e incomoda. Ele te mostra a vã luta que travaste contigo mesmo para vencer os sentimentos medíocres. Acaba por esfregar a derrota na tua cara. Para abafar o grilo que vem de dentro, escolhe o mais fácil: gritar, disparar, cuspir, agredir, ofender. Imagino que amenize a dor. Provavelmente não. Com exceção daqueles que passam incólumes pela vida. Nasceram mortos.